As bruscas oscilações de temperatura registradas neste inverno têm criado um desafio crescente para a avicultura brasileira. Ao contrário do que se imagina, em períodos de frio e chuva é comum que frangos de corte sofram mais com o calor do que com o frio, consequência do fechamento excessivo dos galpões para proteger as aves, comprometendo a ventilação e favorecendo o acúmulo de calor, amônia e dióxido de carbono. O alerta é do pesquisador e diretor Técnico do Colégio Brasileiro de Nutrição Animal (CBNA), Felipe Dilelis.
"O maior desafio hoje é lidar com a amplitude térmica. A dieta normalmente é formulada para uma condição de verão ou de inverno, mas as mudanças bruscas de temperatura alteram rapidamente o consumo de ração e exigem respostas nutricionais mais dinâmicas", afirma Dilelis. Segundo ele, embora a ambiência continue sendo o principal investimento para reduzir os impactos do estresse térmico, a nutrição exerce papel decisivo para preservar o desempenho das aves.
Estratégias nutricionais
Entre as principais estratégias, o pesquisador destaca o aumento da densidade nutricional das dietas nos períodos de maior calor, com maior participação de óleos e gorduras, que possuem menor incremento calórico durante a digestão. O uso de eletrólitos e sais auxilia no equilíbrio osmótico dos animais, enquanto vitaminas C e E, selênio, microminerais orgânicos, betaína e aditivos fitogênicos contribuem para reduzir o estresse oxidativo e minimizar os efeitos metabólicos provocados pelas oscilações de temperatura. "A primeira resposta é acompanhar o consumo das aves para ajustar a densidade nutricional da dieta. A partir daí, ingredientes mais digestíveis e aditivos específicos ajudam o animal a enfrentar o estresse térmico e manter seu desempenho produtivo", explica.
Outro ponto de atenção, segundo Dilelis, é a qualidade do ar dentro dos galpões. "Muitas vezes o produtor fecha completamente o ambiente para proteger as aves do frio, mas acaba reduzindo a ventilação mínima necessária. Isso favorece o acúmulo de amônia e dióxido de carbono, prejudica a saúde respiratória e pode agravar as perdas produtivas", afirma. Para o presidente do CBNA, Godofredo Miltenburg, a crescente variabilidade climática reforça a importância da pesquisa aplicada em nutrição animal. "O conhecimento científico precisa chegar rapidamente ao campo para ajudar o produtor a enfrentar desafios cada vez mais complexos. Esse é o papel do CBNA: reunir pesquisadores e especialistas capazes de transformar ciência em soluções práticas para aumentar a eficiência, o bem-estar animal e a competitividade da avicultura brasileira", afirma.
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